sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Crack, a droga onipresente


Crack é a droga mais presente em SP, aponta pesquisa da Assembléia Paulista

Em algumas das 15 Regiões Administrativas, a droga existe na mesma intensidade que álcool


Marrcela Bourroul Gonsalves - estadão.com.br

SÃO PAULO - O crack é hoje a droga ilícita mais presente nos municípios do Estado de São Paulo. Foi o que apontou levantamento realizado pela Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Os resultados foram apresentados nesta terça-feira, 20.

Pesquisa mostra que crescimento é maior cidades com população entre 50 e 100 mil habitantes - José Patrício/AE - 14/9/2011
José Patrício/AE - 14/9/2011
Pesquisa mostra que crescimento é maior cidades com população entre 50 e 100 mil habitantes

Gestores públicos de 325 municípios, onde se concentram 76% da população do Estado, responderam a um questionário com dez perguntas enviado pela Frente Parlamentar.

Uma das questões levantada foi em relação às drogas mais presentes em cada município. O crack apareceu em 31% do total das respostas, atrás apenas do álcool, com incidência de 49%.

Em cidades com população entre 50 mil e 100 mil habitantes, localizadas principalmente nas regiões de Barretos e Ribeirão Preto, o crack é tão presente quanto o álcool, aparecendo em 38% das respostas.

Dos 325 municípios que responderam o questionário, 12% recebem ajuda financeira do governo federal; outros 5% recebem alguma ajuda do governo estadual. 79% dos municípios não dispõe de leitos públicos para tratar os dependentes químicos que se encontram na faixa etária entre 16 e 35 anos de idade, que representam 80% dos usuários.

Segundo o deputado Donisete Braga, que coordenou o levantamento, os municípios paulistas estão sem assistência no que se refere ao combate ao crack e outras drogas, não há leitos públicos destinados aos dependentes, e não há recursos públicos. Ele adiantou que o ministério da Saúde vai lançar um programa nacional para combater o problema no início de outubro.

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo contestou os números divulgados pela Alesp e afirmou que os valores gastos pela pasta para assistência a dependentes químicos não são utilizados na forma de repasse direto aos municípios, e sim por outros meios. Entre eles, a capacitação de profissionais dos Caps Ad (Centros de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas) municipais, internação de pacientes por doenças decorrentes do abuso de álcool e drogas, atendimento para casos agudos em hospitais estaduais e conveniados com a Secretaria e internação de dependentes em serviços de saúde financiados exclusivamente com recursos estaduais.

Ainda segundo a secretaria, a atual política de saúde mental do Ministério da Saúde não prevê internação de dependentes químicos, mas a pasta estaria custeando o tratamento desses pacientes em clínicas de internação que atendem de forma regional.

Nos últimos quatro anos foram implantados cerca de 400 leitos para internação de dependentes químicos no Estado, em cidades como a capital, São Bernardo do Campo, Itapira, Marília, Bauru e Presidente Prudente.


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